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Expedições dos séculos XIX e XX
Apesar dos resultados negativos das primeiras expedições e a mudança de foco dos últimos exploradores do século XVIII, a lenda do El Dorado nunca cessou completamente e nos anos seguintes continuou fazendo com que muitos aventureiros viessem para o Brasil com a esperança de enriquecerem facilmente com a descoberta de ouro e pedras preciosas. Além disso, alguns deixaram as riquezas em segundo plano e passaram a buscar a fama e a glória com a possibilidade de descobrirem cidades antigas perdidas no meio da floresta.

Em 1925 aconteceu à expedição Fawcett. A expedição que virou lenda e novamente atraiu a atenção do mundo todo para as cidades perdidas na Amazônia.

O Coronel Percy Fawcett pertencia a Guarda Real Inglesa e era altamente conceituado, tendo servido por alguns anos na Índia. A primeira vez em que esteve no Brasil foi por volta de 1920 representando a Inglaterra que era mediadora na disputa de terras entre o Brasil e a Bolívia.

Depois de examinar registros antigos e ouvir minuciosamente velhas histórias, Fawcett ficou convencido de que haveria uma grande cidade perdida nas florestas do Brasil. Fawcett chamou essa cidade de "Z" e três anos depois, entusiasmado com essas histórias, ele resolveu voltar. Mas desta vez com a idéia de formar uma expedição e entrar na floresta em busca da origem das lendas.

Fawcett planejou uma expedição cujos membros eram ele mesmo, seu filho Jack e o amigo de Jack, chamado Raleigh Rimell, que era fotógrafo de um jornal. Ele optou por uma pequena expedição porque acreditava que um grupo pequeno pareceria menos como uma invasão para os índios e conseqüentemente seria menos provável de sofrerem um ataque. A rota foi cuidadosamente planejada e Fawcett combinou com outras pessoas que se caso não retornassem, uma expedição de salvamento não deveria ser enviada. Acreditava que seria perigoso demais.

Logo depois de desembarcar no Brasil ele conseguiu uma audiência com o presidente Artur Bernardes, a quem expôs seus objetivos. O presidente não quis tomar qualquer decisão sozinho e consultou o Marechal Candido Rondon que desaprovou totalmente o plano de Fawcett e fez com que o governo brasileiro negasse a permissão para o projeto. Fawcett retornou a Inglaterra, mas não abandonou a idéia da expedição.

Em 1924 fez novo pedido de autorização ao governo brasileiro e desta vez trouxe recomendação da rainha da Inglaterra e várias outras personalidades influentes na época. Novamente o Presidente da República chamou o Marechal Rondon para que opinasse sobre a pretensão do explorador inglês. Rondon manteve seu ponto de vista e mais uma vez se manifestou contra o projeto. Prometeu até organizar uma expedição brasileira e convidar Fawcett e seus companheiros para participar.

Fawcett não aceitou porque desejava uma expedição só dele, puramente inglesa e composta apenas de três pessoas: ele, seu filho e um amigo do seu filho. O Marechal Rondon discordou, mas diante das recomendações apresentadas por Fawcett o presidente acabou autorizando a expedição. Depois que Fawcett saiu, Rondon ainda disse ao presidente que: "Esse senhor vai desaparecer nas matas brasileiras e nós ainda vamos ser chamados para procurá-lo". O presidente respondeu que a sorte estava lançada.

Logo depois de autorizado pelo governo brasileiro ele partiu de Cuiabá, passando pela Chapada dos Guimarães em direção à aldeia dos índios Bakairi. Aparentemente a cidade perdida procurada por Fawcett estaria localizada na região do rio Culuene e o rio das Mortes na Serra do Roncador, no Mato Grosso. Mais tarde verificou-se que Fawcett nunca forneceu as coordenadas precisas de sua movimentação, para que nenhuma expedição posterior encontra-se o seu caminho.

Chegando à aldeia dos Bakairi, Fawcett conseguiu que meia dúzia de índios o acompanhasse na viagem. Com eles desceu o Culuene e parou quando encontrou a primeira aldeia dos índios Nahuquá, localizada na margem daquele rio. Nesse local os índios Bakairi deixaram a expedição e regressaram à aldeia de onde tinham partido.

Fawcett pediu então aos índios Nahuquá que os levassem à qualquer aldeia que existisse mais a nordeste, pois dali seguiriam rumo à Serra do Roncador. Os índios disseram que naquela direção só existia a aldeia dos Kalapalos e mais para o norte a aldeia dos Kuikuru, mas a dos Kalapalos era a que Fawcett deveria passar rumo à serra do Roncador.

Assim, três índios Nahuquá partiram em companhia de Fawcett para o acampamento dos Kalapalos. Quando chegaram encontraram a aldeia totalmente deserta, pois os índios tinham se mudado para outro acampamento localizado à margem direita do rio Culuene perto de uma lagoa que mais tarde veio a ser chamada de Lagoa Verde.

Fawcett não desanimou. Ainda com os índios Nahuquá, marchou em direção ao acampamento, onde encontrou Caiábi, o grande chefe Kalapalo daquela época, e também o genro deste -Isarari - que mais tarde se tornaria muito conhecido, porque foi tido como responsável pela morte do explorador inglês.

Em 29 de maio de 1925 Fawcett mandou uma mensagem para sua esposa, indicando que eles estavam prontos para entrar em território inexplorado. Esta seria a última notícia oficial que se ouviria da expedição. Eles desapareceram na selva e nunca mais foram vistos novamente.

Uma expedição de socorro partiu em 1928, comandada por um oficial da marinha britânica, comandante George Miller Dyott, que também explorava a América do Sul. Dyott, acompanhado por quatro jovens americanos, seguiu o traçado de Fawcett até a região do rio Culuene. Os índios reconheceram que Fawcett e seus companheiros tinham sido assassinados, mas cada índio rejeitava a responsabilidade desse crime. Dyott encontrou uma valise que reconheceu ser de Fawcett e também viu, amarrada no pescoço de um índio uma placa de cobre com o nome da firma W.S. Silver & Company, London, que fornecia o equipamento da expedição de Fawcett. Dyott concluiu que Fawcett tinha sido morto pelos índios.

Em 1951 o grande sertanista brasileiro Orlando Villas Bôas, tendo questionado pacientemente os Kalapalos durante cinco anos, persuadiu-os, com a promessa que não haveria vingança, a relatarem o que se passara realmente.

Segundo os Kalapalos, ocorreu um incidente que influiu negativamente no relacionamento entre os brancos e índios. Isso aconteceu quando Fawcett atirou num pato que voava. Uma criança correu e apanhou a ave. Pensando talvez que ele quisesse apossar-se da caça, Fawcett correu atrás do indiozinho e bateu-lhe na mão. Os índios não gostaram da atitude do branco, principalmente o pai do menino.

"Os índios me contaram que mataram o sujeito que batia no peito e dizia ‘miguelesi’, ou seja, ‘mim inglês’", conta Orlando. Segundo ele, o explorador foi morto com bordunas (uma arma feita de madeira dura) por pais do garoto que Fawcett havia maltratado.

A ossada do britânico foi encontrada pelo sertanista, porém, a família dele se recusou a fazer o exame de DNA e preferiu continuar perpetuando a lenda de seu misterioso desaparecimento que é fonte de muitos filmes e livros até os dias de hoje.

Apesar das recomendações de Fawcett, diversas outras expedições de salvamento tentaram encontrá-lo, mas nenhuma obteve sucesso. Ocasionalmente algumas notícias intrigantes foram relatadas, mas nenhuma destas nunca foi confirmada.

Em 1996 uma nova expedição de busca foi organizada para procurar traços da equipe de Fawcett, mas não foi muito longe. Um grupo de índios parou a equipe e os detiveram durante algum tempo. Foram liberados mais tarde, mas os índios confiscaram todo o equipamento deles avaliado em mais de sessenta mil dólares.

Hoje se sabe que Fawcett era mais que um aventureiro e veio ao Brasil com outras intenções além daquela de procurar uma antiga cidade perdida na selva. Às escondidas do governo brasileiro, e com o apoio de autoridades britânicas, ele pesquisava recursos minerais e fazia negócios com empresários europeus. Fawcett gostava de aventura, mas também procurava ouro e prata nos sertões do Brasil.

Na década de 1960 o explorador peruano Carlos Neuenschwander Landa organizou várias expedições na região conhecida como "Meseta de Pantiacolla" (Planície de Pantiacolla), a leste do Peru. Nessas expedições ele fotografou caminhos incas, lagoas e alguns desenhos feitos na nas rochas que alguns relacionam aos incas.

Em 1972, motivados por estas histórias, o norte-americano Robert Nichols e os franceses Serge Debrú e Gerard Puel, organizaram uma expedição com o objetivo de chegar até a Meseta de Pantiacolla. Em determinado ponto do trajeto eles dispensaram os campesinos locais que os guiavam e nunca mais se teve notícias da expedição.

A notícia do desaparecimento da expedição correu o mundo, tornando a região famosa e fazendo com que muitos outros não só se interessassem em encontrar Paititi, mas agora também buscassem uma reposta para o sumiço da expedição de Nichols.

Em 1977 o explorador japonês Sekino Yoshiharu penetrou na região, por terra, com o objetivo de identificar umas supostas pirâmides descobertas através de fotos tiradas pelo satélite norte-americano Landsatt II no final de 1975. Yoshiharu chegou ao local e concluiu que as pirâmides eram formações naturais embora reconhecesse que não tinha permanecido tempo suficiente no local para uma avaliação mais aprofundada. Quando retornou ao Peru ele afirmou ter ouvido dos índios que o grupo de Nichols havia sido assassinado pelos índios Machiguengas.

Em 1979 foi a vez do casal de franceses Herbert e Nicole Cartagena organizarem duas expedições à região. Na primeira eles tiveram de pedir, através de rádio, a ajuda de um helicóptero para resgatá-los da região. Na segunda expedição, seguindo uma rota diferente, eles descobriram as ruínas de uma cidade inca que ficou conhecida com o nome de Mamería. Os muros dessa antiga construção possuem um inconfundível estilo arquitetônico inca com janelas e portas trapezoidais. Além disso, as peças arqueológicas encontradas no sítio permitem supor que Mamería representava uma vila agrícola ou um posto avançado.

A busca continua.

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