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O Descobrimento
Considera-se que quem fez o descobrimento científico de Machupicchu foi Hiram Bingham, historiador norte americano, filho
de missionários, que nasceu em 1875 em Honolulu no Hawaii. Bingham
empreendeu diversas expedições pela América do Sul no início do
século XX sendo que em 1909 esteve no Peru pela primeira vez.
Nesta época existiam muitas histórias acerca da existência de
tesouros dos Incas que segundo a tradição haviam sido
levados por Manco Inca para uma cidade
chamada Vilcabamba durante sua fuga dos invasores espanhóis.
Essas histórias motivaram Bingham a pesquisar em velhos arquivos espanhóis do século XVI.
Através da leitura de cronistas que se referiram a Vitcos e Vilcabamba
Bingham ficou sabendo da existência de cidades abandonadas nas
montanhas do vale do rio Urubamba. Entre estes
cronistas destaca-se o escritor inglês Charles Winner que publicou
um livro em 1880 onde descreve suas viagens através do Peru e da
Bolívia e menciona num mapa os nomes de Machupicchu e Waynapicchu.
Outras referências sobre Machupicchu e Waynapicchu, antes de Bingham, podem ser encontradas no Arquivo
Histórico da Universidade de Cuzco nos documentos referentes à
limites e domínios da fazenda "Cutija" ou ainda em documentos
sobre os limites da província de Urubamba.
Em 1910 o norte-americano Alberto A. Giesecke
torna-se reitor da Universidade Nacional de Cuzco e passa a apoiar
toda iniciativa referente à arqueologia. Em 1911 ele visita a
fazenda "Echarati", na então região de Mandor, de propriedade de
Don Braulio Polo y la Borda e ouve deste que em sua propriedade
haviam diversas construções antigas cobertas de vegetação e que
entre elas se destacava umas ruínas num local chamado de
Machupicchu pelos moradores locais. De volta a Cuzco, Alberto
Giesecke escreve a Bingham sobre estas referências. Neste mesmo
ano Bingham retorna ao Peru com o objetivo de fazer pesquisas em geologia e
botânica e procurar Vilcabanba que ouvira nas histórias locais.
Em Cuzco Alberto Giesecke o apresenta a Braulio Polo dono da
fazenda em Mandor quem confirmou a Bingham sobre os fatos. Braulio
posteriormente apresentou Bingham a Eduardo Lizárraga, que era um
arrendador de terras na região desde os anos 1870 e que havia
visto pessoalmente as construções.
Em 23 de julho de 1911 Bingham foi até Mandor com
um sargento do exército peruano que foi designado para
acompanha-lo por ordem do prefeito de Cuzco. No cânion do rio
Urubamba se encontraram com Melchor Artega que seria o guia para
chegar até as ruínas. "Quando descobriu que eu estava disposto a
pagar-lhe um sol, ou seja, três vezes o salário que ele ganhava em
seus vencimentos, consistiu finalmente em ir". No dia seguinte,
após examinar o terreno, Bingham decidiu subir pelo setor onde
hoje existe a estrada em ziguezague que leva seu nome
Ao meio dia de 24 de julho de 1911, chegaram a
uma pequena cabana onde vivia uma família de camponeses que
cultivavam as terrazas Incas e que os recebeu com "uma deliciosa
água fresca e batata-doce cozida". Após um breve descanso um dos
filhos dos agricultores, Pablito Alvarez de 11 anos de idade,
levou Bingham até as edificações que estavam totalmente cobertas
pela vegetação de vários séculos. "Centenas de terraços para
cultivo se erguiam em camadas como gigantescos degraus". "Esse
espaço todo seria suficiente para alimentar uma cidade inteira!".
Bingham tinha então 35 anos de idade.
"Na minha excitação, esqueci o cansaço e corri
até o emaranhado de galhos". Naquele momento, depois de derrubar
um pouco do mato de alguns setores, Bingham acreditou que havia
encontrado Willkapanpa, o último refúgio do líder Manko Inka e
posteriormente pensou mesmo estar em Pacaritambo ("pousada do
amanhecer"), de onde os Irmãos Ayar, um dos dois mitos da origem
do povo Inca, haviam empreendido sua marcha até Cuzco (A outra
lenda de origem dos Incas diz que o primeiro Inca, Manco Capac e
sua esposa, Mama Ocllo emergiram do lago Titicaca). Mas anos
depois comprovou-se que as suposições de Bingham estavam
incorretas.
Logo em seguida a esse primeiro contato, Bingham
retornou aos EUA onde obteve apoio financeiro da Universidade de
Yale e da National Geographic Society para realizar trabalhos de
exploração em Machupicchu. Em seu retorno em 1912 o governo
peruano lhe concedeu uma autorização para executar seus projetos
inclusive permitindo tirar livremente do país as peças obtidas
durante suas explorações, desde que prontamente devolvidas quando
solicitadas pelo Peru. Hoje, tem-se consciência que foi uma
autorização que infringiu muitas normas e causou um dano
irreparável à herança cultural do Peru. Neste mesmo ano, Bingham
esteve em Copacabana e Tiahuanaco na Bolívia.
Em 1915 ele retornou ao Peru, patrocinado pelas
mesmas entidades, e realizou uma segunda expedição explorando as
construções que estão ao longo do Caminho Inca e as vias de acesso
à região.
Alguns historiadores peruanos alegam que Bingham
pilhou e não "descobriu" Machupicchu. Segundo estes historiadores,
com ajuda de uns e ignorância de outros, Bingham levou grande
quantidade de objetos de ouro, múmias e obras de arte que hoje
estão espalhados em coleções particulares e em alguns museus nos
EUA. Algumas peças das expedições de Bingham podem ser vistas em
exposição no museu Peabody da universidade de Yale.
Outros afirmam que Machupicchu foi redescoberta
pela primeira vez em 14 de julho de 1901 pelos agricultores
peruanos Mariano e Agustín Lizárraga que deixaram uma inscrição
com seus nomes e a data de chegada num dos monumentos.
É certo no entanto que foi Bingham quem revelou
Machupicchu para o mundo. Antes dele outros já haviam estado pelas
ruínas da eterna cidade, mas sem o interesse histórico e
científico com que Bingham explorou o local. |