|
A Primeira Machupicchu
Hiram Bingham chegou à uma conclusão muito importante no seu livro sobre Machupicchu.1
Segundo ele, a identificação do que Machupicchu era em seus
últimos anos diz pouco ou quase nada sobre a sua origem. Enquanto
muitos de seus edifícios foram indubitavelmente construídos
durante o Império Inca para acomodar as "Mulheres Escolhidas", os
templos e palácios, por serem demasiadamente trabalhados, não
foram construídos nesta mesma época. Estas finas construções,
feitas com blocos de granito branco cuidadosamente polidos,
antecedem em séculos os últimos anos do Império Inca. São portanto
muito mais antigos que todo o restante da cidade. Além disso, diz
Bingham, não parece muito sensato que a construção da cidadela de
Machupicchu teve por objetivo proteger Cusco das invasões dos
selvagens que viriam da floresta Amazônica. Faz pouco sentido
pensar que os Incas tenham realizado um trabalho monumental
construindo uma cidade nas montanhas apenas para esta finalidade.
Os selvagens da floresta tinham somente armas rústicas, porretes,
e arco e flechas. Não era necessário construir uma grande cidadela
com grandes muros para impedi-los de passar. Chega a ser insensato
acreditar que os magníficos templos feitos de granito branco em
Machupicchu tenham sidos construídos como defesa contra índios
selvagens vindos da Amazônia. Considerando ainda que Machupicchu
contém templos para o sol, a lua, e todo o panteão da mitologia
Inca e também considerando a elaborada característica de suas
estruturas, pode-se dizer com certeza que Machupicchu era um lugar
altamente venerado. Um grande Santuário.2
A partir desta conclusão de Bingham, que considero correta,
podemos fazer uma constatação óbvia, mas que ele não ousou
considerar em seu livro: Se os templos em granito branco são
centenas de anos mais antigos que os últimos anos do Império Inca,
então podemos pressupor que a Primeira Machupicchu era diferente e
formada principalmente por esses templos. Além disso podemos
deduzir que posteriormente um dos Imperadores Incas fez uma
segunda ocupação no local e construiu a Machupicchu que conhecemos
hoje.
Outra coisa que Bingham não deduziu e que agora descobri é que
alguns dos templos e esculturas originais dessa Primeira
Machupicchu foram total ou parcialmente destruídos e que outros
ainda estão em parte encobertos pelas construções em pirka3 da
segunda ocupação.
Como cheguei a estas conclusões? Estas descobertas foram possíveis
depois de analisar minuciosamente algumas das fotografias que
Bingham tirou de Machupicchu durante a limpeza e exploração da
cidade entre 1911 e 1912.
Observando detalhadamente as fotos daquela época pude constatar
que alguns templos e símbolos mais significativos da cidade
parecem ter sido deliberadamente destruídos e outros encobertos
servindo de base para as novas construções.
El Soldado
A primeira escultura que revelo ao mundo na foto acima foi a
primeira descoberta e eu a chamo de "El Soldado". É apenas um dos
símbolos da Primeira Machupicchu que estão parcialmente encobertos
ou destruídos. A foto não é uma montagem. É o recorte de um pôster
triplo de Machupicchu que foi incluído com a revista National
Geographic de 1913. As marcas visíveis na fotografia são as
dobraduras do pôster. No meio da foto, do lado esquerdo às
escadarias que levam ao templo de Intihuatana, é possível observar
a escultura de um rosto humano. Não apenas parece ser, é uma
escultura. A escultura apresenta traços finos e parece talhada em
uma única rocha. Aparentemente foi esculpida durante a primeira
ocupação assim como os principais templos de Machupicchu. Está com
o lado esquerdo parcialmente encoberto pelas construções de
paredes em pirka da segunda ocupação da cidade. Todos os itens que
compõem um rosto são visíveis facilmente na imagem. Olhando
atentamente é possível concluir que a escultura foi talhada
representando alguém mascando folhas de coca. O lado esquerdo da
boca, parcialmente encoberto pelas construções em pirka, está
visivelmente mais protuberante. Mascar as folhas e mantê-las do
lado esquerdo da boca para a absorção do alcalóide ainda hoje é o
modo utilizado pelos povos andinos ao mascarem as folhas de coca.
El Magnífico
A segunda grande escultura que revelo ao mundo agora em maio é
mais fascinante que a primeira. Esta descoberta é muito maior do
que a anterior que eu efetuei em janeiro de 2004. E a sua
revelação ao mundo causará mais espanto do que a outra. Eu a chamo
de "El Magnífico". Está localizada nas terrazas logo abaixo da
pirâmide onde se encontra o templo conhecido hoje como Intihuatana.
Está quase totalmente encoberta pela mata e é possivelmente a
maior e principal escultura da antiga Machupicchu. O lado esquerdo
da escultura é visível na fotografia de Bingham. A escultura
aparenta ser a cabeça de um guerreiro com traços simiescos, e
parece ser esculpida em uma única rocha. Na foto de Bingham é
possível identificar com nitidez o lado esquerdo da figura onde
aparece a cabeça, um olho parcialmente encoberto, a mandíbula, a
boca, duas narinas, e o queixo. A cabeça estaria encoberta por uma
espécie de máscara dividida verticalmente em duas partes através
de um sulco profundo com duas bordas bem definidas. A distância
real entre essas duas bordas parece ser maior que um metro e meio.
Nesta máscara vemos uma grande abertura quase circular aparentando
ser um grande olho e que possivelmente continha um globo ocular
feito de alguma pedra brilhante. Do outro lado da máscara, que não
é visível na fotografia, certamente existe um outro olho nos
mesmos padrões que este. O olhar da máscara de "El Magnífico" mira
o pôr do Sol no horizonte e é muito mais enigmático do que o olhar
da Esfinge do antigo Egito. Acima desse "olho da máscara" vemos
uma série de sulcos talhados na rocha dando a impressão de uma
sobrancelha. A mandíbula apresenta uma série de relevos verticais
com a aparência de dentes afiados. No meio da mandíbula vemos uma
abertura vertical dando a impressão de uma entrada para dentro da
montanha. O nariz está parcialmente encoberto pela vegetação, mas
mesmo assim podemos perceber que apresenta duas narinas bem
definidas. Desse mesmo lado visível da escultura, um pouco acima
do olho da máscara, vemos a figura de um pequeno macaco também
esculpido na pedra. Ele tem a boca aberta com uma expressão de
espanto e admiração do pôr do Sol que vê no horizonte.
Possivelmente do lado direito da escultura também há outro pequeno
macaco igual a este. Eles olham na mesma direção que os olhos da
máscara do "El Magnífico". Estou convicto que a escultura de "El
Magnífico" foi construída na mesma época que a esfinge do Egito e
que de alguma maneira está orientada em direção à ela.
Parte 2 >>
--------------------------------------------------------------------------------
1.- Lost City Of The Incas, 1952.
2.- A teoria de que Machupicchu foi construída como casa de campo
de um grande imperador Inca não merece mais atenção do que uma
simples nota de rodapé. Esta teoria pode ser derrubada com o
simples argumento de que Machupicchu está localizada no início da
selva Amazônica peruana onde no verão as chuvas são e sempre foram
torrenciais. E que nenhum Inka conhecedor e venerador das forças
da natureza seria tolo o bastante para construir uma casa
gigantesca pra passar o verão debaixo de chuva. No inverno a
temperatura em Machupicchu é apenas dois graus mais amena que o
rigoroso frio de Cusco e, portanto, também não faz sentido um
Imperador abandonar sua capital só pra ficar dois graus mais
aquecido. Portanto não há vantagens em construir uma casa de campo
onde está Machupicchu. A cidade surgiu como um lugar sagrado e
continuou com essa finalidade mesmo depois da segunda ocupação.
3.- Pirka: paredes rústicas feitas com pedras ásperas talhadas e
acomodadas sem muito cuidado. Os espaços vazios entre as pedras
são preenchidos com pedras menores e barro. Este tipo de parede
era usado principalmente para a construção das terrazas e casas
para o povo comum.
|