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Templos encobertos
Além destas duas esculturas que podem ser facilmente comprovadas
em Machupicchu existem outras que foram parcial ou totalmente
destruídas ou ainda encobertas. Do lado direito da Praça Principal
vemos uma escultura gigante que foi totalmente destruída. Um pouco
mais abaixo, nas escadarias que levam do Grupo das Três Portas
vemos outra escultura gigante que faz parte de um complexo maior e
que está quase totalmente encoberto. E deveriam existir várias
outras nas laterais da cidade que desabaram ou ainda foram
destruídas pela segunda ocupação de Machupicchu.
Ao considerarmos essas estruturas deduzimos que a cidade original
não era como hoje a conhecemos. A Primeira Machupicchu não era uma
fortaleza como é vista atualmente. A Primeira Machupicchu
possivelmente era formada apenas por templos de granito branco
polido, escadarias e grandes esculturas por todos os lados, nas
laterais dos abismos e nas praças principais. Não havia as
construções em pirka que atualmente formam a maior parte das
construções da cidade.
Posteriormente houve uma segunda ocupação de Machupicchu onde as
esculturas e os templos originais feitos todos em granito branco
polido, no que hoje é conhecido como Arquitetura Inca Imperial,
foram destruídos ou encobertos para servirem de base à novas
construções em pirka.
Mas quem teria destruído e encoberto essas esculturas originais de
Machupicchu e por que?
A maioria dos historiadores modernos acredita que Machupicchu foi
construída pelo Inka Pachacuti (ou Pachakuteq) que teria governado
justamente o início do Império Inca de 1438 a 1471. Pachacuti
teria sido um grande líder. Para alguns o maior líder que os povos
andinos já produziram.
Outra teoria bem aceita considera que os Incas tinham uma
concepção cíclica, e portanto, não linear, da história, do espaço
e do tempo. Eles alteravam o passado a cada novo início ou nova
mudança no poder. Algo que chamavam de pachakuti, ou reviravolta
do tempo e do espaço. Os fatos do passado eram contados de forma
diferente com o objetivo de favorecer a imagem do novo governante.
O mundo então era transformado para que desse início à uma nova
era.
Acredito portanto que o reinado do Inka Pachacuti marca o início
de uma nova era em Machupicchu. Não a construção da cidade e sim a
sua transformação na fortaleza que conhecemos atualmente. A
ruptura com os ícones do passado e o inicio de um novo ciclo.
Pachacuti então mandou destruir algumas esculturas, encobriu
outras e deu início à era de expansão do que viria a ser conhecido
como Império Inca.
Não há qualquer menção por Bingham e também não existe qualquer
menção na literatura em qualquer idioma sobre estas esculturas em
Machupicchu. É portanto uma revelação inédita. Certamente a maior
revelação em Machupicchu desde que Bingham redescobriu a cidade em
1911.
Mas por que até hoje essas esculturas não haviam sido reveladas?
Possivelmente porque os locais onde estão localizadas são
interditados ao público devido ao precipício logo abaixo das
terrazas. Os milhares de turistas que visitam Machupicchu
anualmente não tiram fotos destes ângulos. Além disso o granito
antes polido já se encontra escurecido devido à degradação
provocada pelo tempo e não chama mais atenção como antigamente.
Mas se considerarmos que em 1911 o granito branco ainda
contrastava muito com o restante das construções e que Bingham
teve acesso à todos os cantos da cidade de onde tirou suas
fotografias, por que Bingham não viu as esculturas? Ou será que
ele viu, mas não as revelou?
Analisando outras fotos que Bingham e sua equipe tiraram de
Machupicchu em 1911 e 1912 cheguei à conclusão de que seria quase
impossível que eles não tivessem visto estas esculturas pela
cidade.
Estou convicto de que Bingham, a Universidade de Yale, e a
National Geographic sabiam da existência e encobriram a descoberta
de El Magnifico e das demais esculturas e construções originais
existentes em Machupicchu.
A fotografia que mostro ao lado foi tirada antes do começo da
limpeza da cidade de Machupicchu em 1912. Nela vemos claramente
que toda a área onde está localizado "El Magnífico" estava
encoberta pela vegetação. Nesta mesma fotografia podemos observar
parcialmente o granito branco da escultura de "El Soldado" que se
destaca e sobressai por sobre a mata. Para limpar o mato que
encobria Machupicchu Bingham contratou vários trabalhadores em
Cusco. Ao que parece ele escolheu os homens mais esfarrapados que
pôde encontrar pela cidade. Trabalhadores que não fariam nenhuma
crítica sobre aquilo que ele iria realizar.
Já nesta outra fotografia é possível observar que eles derrubaram
a vegetação que encobria as terrazas até a escultura de El
Magnifico. Além do mato cortado, a mandíbula, a máscara e todos os
detalhes de "El Magnífico" são visíveis claramente na foto. É
impossível não terem visto a escultura. Podemos até imaginar o
espanto dos trabalhadores contratados por Bingham derrubando a
mata e se deparando com a figura de El Magnifico.
Portanto, baseado nestas duas fotografias, "com vegetação"e "sem
vegetação", podemos concluir que Bingham e sua equipe, além dos
financiadores do projeto, sabiam da existência da escultura de "El
Magnífico", "El Soldado", e El Mono Chico, e esconderam isso do
mundo quando anunciaram a descoberta de Machupicchu.
Hoje em dia o encobrimento do que foi realmente encontrado na
exploração de 1912 se perpetua quando a National Geographic e a
Universidade de Yale relutam em tornar público as fotografias e os
objetos retirados de Machupicchu de 1911 a 1915. Apenas algumas
fotos e poucos objetos previamente selecionados são mostrados. O
governo peruano constantemente faz o pedido de devolução dos
objetos levados por Bingham e sua equipe do Peru, mas a
Universidade de Yale se recusa a devolvê-los.
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