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A História Será Recontada
A Primeira Machupicchu
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Tunupa, O Unificador

Alguns dos antigos filósofos e poetas gregos e romanos pensavam que não haveria gente deste lado sul do planeta. Outros se negavam a acreditar que haveria terra. E não faltou quem dissesse que não existiria nem mesmo o céu por aqui. Nesta parte do mundo haveria apenas o caos e um abismo infinito. Tempos depois os horizontes vão se abrindo e se aceita que o céu e a terra estão por toda parte e que o planeta é redondo, sem esquinas, apesar de ainda ser considerado o centro de tudo que existe. A questão principal passou a ser então a existência ou não de homens nesta parte do mundo onde o sol nasce quando do outro lado se põe. Era um disparate acreditar que aqui viviam homens porque todos os homens descendem de um primeiro homem e que passado o estreito de Gilbraltar era impossível navegar a imensidão do oceano. Além disso, outra razão pela qual os antigos sábios diziam não existir homens do lado de cá é que se acreditava que o calor desta região era excessivo o que não permitiria chegar os homens, nem por mar e nem por terra, por mais intrépidos que fossem. Apesar de aceitarem que o planeta é redondo e crerem ter em ambos os pólos terra habitável, negava-se que fosse possível habitar a região que fica no meio e localizada entre os trópicos de Câncer e Capricórnio. A razão que davam é que o Sol aqui estaria sempre muito próximo da Terra e, portanto, abrasaria toda esta região. Não existiria condição de vida, pois não haveria água e nem florestas. Portanto, aqui o homem não poderia chegar.

Os séculos se passaram e com os navegadores espanhóis e portugueses veio a constatação de que era possível navegar todo o grande oceano e que esta terra era muito povoada de homens e animais e cheia de rios e florestas, sendo a região mais abundante de todas que tem o planeta. Os novos donos do mundo passaram então a negar a idéia de que antes deles este Novo Mundo fosse conhecido pelas antigas civilizações. Isso porque os antigos não detinham o conhecimento da bússola que permitia a arte de navegar e sem a qual não podiam cruzar o grande oceano por própria determinação. As menções sobre esta região nos escritos de filósofos, poetas e profetas não passariam de adivinhações de homens sábios e conjecturas incertas sujeitas à interpretação de quem as lê. E diante do espanto de encontrarem esta terra povoada, creditaram aos segredos de Deus que tenha sido possível chegar o homem até aqui e que estivessem ocultos até então.

E sendo eles então os primeiros se intitularam os donos deste Novo Mundo e depois do genocídio que cometeram com aqueles que aqui encontraram continuaram a negar, mesmo diante de tantas evidências, que essa região do mundo tivesse tido algum dia contato com qualquer outra civilização vinda do Oriente. Desconsideraram as diversas lendas dos diversos povos que aqui encontraram e que contavam que homens de pele branca, de estatura elevada, com longas barbas e vindos de além mar haviam chegado à este continente séculos antes dos espanhóis.

Fernando Salazar4, mencionando cronistas espanhóis, relata uma dessas lendas ouvidas dos antigos Incas: No princípio dos tempos, quem deu ao mundo o sopro vital tinha por nome Wiracocha. E ali onde tudo era escuridão, criou uma raça de gigantes a quem instruiu a viverem em paz para que o servissem e conhecessem para sempre. Mas sua palavra foi desobedecida por aqueles que não puderam conter os ânimos da soberba e da cobiça. Então Wiracocha lançou sobre eles sua cólera como uma tormenta. A terra e o mar engoliram alguns e outros foram convertidos em pedras como testemunho de seu poder logo que o dilúvio, chamado de unu pachacuti, ou a água que transformou o mundo, cessou e as águas voltaram ao normal. Passado o dilúvio e seca a terra, Wiracocha determinou povoá-la mais uma vez. Então, desde uma ilha do lago Titicaca, elevou ao firmamento o sol, a lua e as estrelas. E assim como o céu se encheu de luminarias, apareceu na Terra outra com o nome de Wiracochan ou Tunupa, que mostrou aos homens a luz. Alto, de semblante sério e vestido pobremente, tinha como sinal de autoridade apenas uma coroa na cabeça e um cajado com o qual peregrinou pelos Andes. Assim uns emergiram dos lagos, outros de fontes, cavernas e árvores para receber de Tunupa as sementes, as artes e as diferentes línguas que haviam de cultivar. Prosseguindo sua jornada, chegou ao Vale Sagrado onde anunciou a chegada dos Incas e deixou seus conhecimentos gravados na memória do povo que talhou na montanha uma grande escultura em sua homenagem. Finalmente se foi em direção à linha equinocial e desapareceu no mar.

Esta escultura de Tunupa mencionada por Salazar foi esculpida numa montanha logo acima do povoado de Ollantaytambo, no Vale Sagrado, em Cusco. É conhecida dos peruanos e dos viajantes que visitam o Vale e pode ser observada facilmente desde o povoado ou nas fotografias disponíveis na Internet. Nela pode-se observar claramente a figura de um homem de pele branca e com com longas barbas. Esta escultura por si mesma sempre foi uma prova do contato de homens brancos com os antigos povos andinos.

A escultura de Tunupa em Waynapicchu que estou revelando ao mundo desde julho de 2005 prova que realmente Tunupa existiu e corrobora a descrição encontrada nas lendas dos Incas. Na escultura em Waynapicchu é possível ver claramente a figura de um homem de pele branca com uma longa barba e um capacete na cabeça. Tunupa possivelmente é o criador da primeira Machupicchu e por isso está imortalizado nas paredes de Waynapicchu. A escultura de Tunupa e a outra que também identifiquei em Waynapicchu em recente viagem ao Peru comprovam a presença de homens de pele branca no Hemisfério Sul e, portanto, a comunicação das antigas civilizações do Oriente com o Ocidente antes da chegada dos espanhóis. A história de Machupicchu, a história dos Incas e a história das antigas civilizações do mundo precisa ser recontada.

Muitas questões surgem com esses descobrimentos e revelações que estou fazendo sobre Machupicchu: De onde vieram os homens brancos que construíram a Primeira Machupicchu? Por que construíram os fantásticos templos de granito branco e esculturas num local tão inacessível? Bingham e sua equipe viram ou não viram as esculturas? Se viram por que não revelaram a existência delas ao mundo? O que afinal retiraram às escondidas de Machupicchu? Será que a equipe de Bingham, além de omitir a existência, também destruiu alguma estátua ou outra coisa significativa na eterna cidade? Existe realmente uma entrada na boca de El Magnífico que leva para dentro da montanha? O que há lá dentro? É mesmo o Titicaca o lago mencionado no mito de origem do povo Inca?

É questão de tempo para surgirem respostas para todas essas perguntas. Comparando fotografias e analisando minuciosamente fatos da história estou reconstruindo a Primeira Machupicchu e a cidade que Bingham e sua equipe encontraram em 1911 e que esconderam do mundo.

A importância de uma descoberta não se mede somente por ela mesma, mas principalmente pelos novos rumos de pesquisa que ela proporciona e pelas novas descobertas que dela advirão. Muitas indagações podem ser feitas a partir dessas esculturas que descobri em Machupicchu e tenho certeza de que uma nova era na compreensão da eterna cidade, da cultura Inca e das história das civilizações se inicia com essas revelações. O que antes era visto apenas como coisa de malucos, torna-se agora realidade. As portas se abrem novamente e uma nova reviravolta do tempo e do espaço se inicia em Machupicchu a partir dessas revelações.

Marcelo Godoy

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4.- Cusco y El Valle Sagrado de Los Incas, 2002.

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